quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Tão amargos são os doces


Eram cinco horas da manhã e ela já estava de pé. Precisava pegar o ônibus para a aula. E como a maioria das adolescentes, tinha suas nóias: acordava mais cedo do que o necessário, para pentear o cabelo. Ela queria sempre chegar na escola linda. E aquela arapuaba matinal em sua cabecinha a empedia disso. Na verdade, ela era uma jovem mimada. Sempre teve tudo que quis. Seus pais são donos de uma fábrica de frangos, milionários. Mas você pode estar se perguntando, se ela é rica, milionária, por que vai para a escola de ônibus? Isto, na verdade, foi uma indicação da psicóloga. Afinal, a menina foi tão protegida em sua infância, que não sabe o que é ser independente, fazer as coisas por conta própria. Seus pais, sempre preocupados com ela, não a deixavam sair de casa sozinha. Era como se estivesse dentro de uma bolha. Trancada em cativeiro. A falta de contato com outras pessoas, devido a essa essessiva proteção dos pais, a tornou uma adolescente extremamente tímida e anti-social.

Chegando na  escola, a jovem sentou-se e permaneceu quieta, enquanto todos a sua volta conversavam e sorriam. Ela tinha vergonha de sorrir. Vergonha de expressar sua opinião e ser criticada, afinal ela não gostava de ouvir  críticas, pois era uma coisa que não era acostumada a lidar. Ela se sentia inferior aos outros, inferior a todos. Sua auto-estima é muito baixa. E por quê? Traumas psicológicos da sua antiga escola. Todos riam dela, a chamavam dos piores nomes, na época, para uma criança: feia, gorda, hipopótama, bujão de gás, mister bin, dondoca-cara-de-paçoca. Ela não sabia se defender, comsequencias da extrema proteção que recebia. Infelizmente, traumas infantis não são facilmente curados e ela os levou até a adolescência, fase atual de sua vida. É como uma cicatriz, que não some. Ela acha que todos à sua volta, podem a qualquer momento, criticá-la ou simplesmente rir dela. Ela observa tudo, ela observa todos.

Passa as manhãs inteiras solitária na escola. Ao fim do dia, volta para a casa e pensa como o seu dia poderia ser mais legal se estivesse sido mais comunicativa, afinal a sociedade te obriga a ser bem desenvolvida, extrovertida e tudo mais. Muitos criticam e vêem a timidez como uma doença. Mas será mesmo uma doença ou apenas a maneira de ser de um ser humano?

Mas, proteção demais dá nisso. "Doces", tão doces que seus pais lhe deram na infância, acabaram amargando sua  adolescência. Agora ela é escrava da vida e das tardes na psicóloga, onde tenta reverter esta situação para se tornar uma adulta mais segura de si e independente. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Obrigado por comentar =)